Como Começou (2018)Há uns anos, em 2018, comecei a partilhar Chi Kung ‘online’ com duas pessoas que vivem em Sidney, na Austrália. Uma delas é o Keith, que na altura tinha cerca de 72 anos. Não imaginava o quanto esta prática cruzaria oceanos e tocaria vidas de formas tão profundas. O ensino à distância tinha algo de surpreendente para mim - ecrãs separados por milhares de quilómetros, mas uma presença partilhada através da respiração e do movimento. Quando a Necessidade se AprofundouAlgures entre o final do ano passado e este ano - confesso que a minha memória não me permite precisar o momento exato, e isso talvez não seja o mais importante - o Keith partilhou comigo uma notícia que mudou o rumo da nossa prática. Ele precisava de mais apoio. De mais Chi Kung. Os marcadores da próstata dele estavam aumentados, e a situação pedia atenção. Uma observação honesta: Quando alguém nos procura com um desafio de saúde, sinto sempre aquele misto de humildade e responsabilidade. O Chi Kung não é medicina. Não substitui médicos. Mas pode ser um companheiro gentil no processo de cura. Disse ao Keith que estaríamos juntos nisto, com o que a prática milenar poderia oferecer. O Caminho que Trilhámos JuntosComecei a trabalhar mais profundamente com ele as Posturas da Árvore: A Postura da Árvore (Zhan Zhuang)Aquela quietude que parece impossível no início. Ficar de pé, enraizado, presente. Os primeiros minutos são sempre os mais desafiantes - o corpo protesta, a mente dispersa, o tempo arrasta-se. A Postura MetalCada elemento tem a sua medicina. O Metal, no Chi Kung, conecta-se com os pulmões, com a capacidade de soltar, de limpar, de renovar. O que aconteceu: O Keith foi construindo resistência, presença, persistência. No início, talvez fossem 5 minutos que pareciam uma eternidade. Depois 10. Depois 15. Uma verdade importante sobre a prática: Não é que agora façamos sempre 20 minutos. Isso seria transformar a prática numa meta rígida, numa performance a alcançar. E o Chi Kung não é isso. Há dias em que ficamos 20 minutos na postura. Outros dias são 15 minutos. Outros ainda, 10 minutos é o que o corpo pede. A escuta define os minutos, não o ego. Durante a prática, prestamos atenção aos sinais do corpo. Quando sentimos que está na hora de parar - não por preguiça ou desistência, mas porque o corpo comunica “é suficiente por hoje” - respeitamos isso. Paramos. Não forçamos. Não empurramos além do que é sábio. O objetivo não é sofrer 20 minutos para provar algo. O objetivo é estar presente o tempo que for sustentável, respeitoso, nutritivo para aquele corpo, naquele dia específico. Aos 78 anos, o Keith já alcançou os 20 minutos em algumas práticas. Isso é notável. Mas talvez ainda mais notável seja a sabedoria que desenvolveu para saber quando parar, quando honrar os limites do dia, quando escolher 10 minutos de presença genuína em vez de 20 minutos de esforço forçado. A Notícia de SábadoNo sábado, o Keith deu-me uma notícia que me encheu de gratidão. Os marcadores da próstata diminuíram. A verdade completa, porque a honestidade importa: O Keith não fez só Chi Kung. Ele integrou a prática numa abordagem mais ampla - alimentação consciente, suplementação natural, outras atividades que servem o corpo. Seria desonesto da minha parte atribuir tudo ao Chi Kung. Mas o Chi Kung fez parte. Foi uma das vozes no coro da sua cura. E a notícia mais bonita: já não vai ser necessário ser operado à próstata. O Pedido DeleDepois de contar-me isto, o Keith fez um pedido simples e profundo: “Ajuda-me ainda mais com o Chi Kung.” Não era um pedido de alguém que procura uma solução rápida. Era o pedido de alguém que descobriu um caminho e quer aprofundá-lo. Alguém que sentiu no próprio corpo que esta prática antiga tem algo a oferecer. O Que Esta História Me EnsinaObservação 1: A Idade não Define a Capacidade de Cura O Keith tem hoje 78 anos. Poderia ter-se resignado, aceitado a cirurgia como inevitável, assumido que “é a idade”. Em vez disso, escolheu o caminho da prática, da presença, da paciência. E o corpo respondeu. Isto desafia aquela narrativa cultural de que depois dos 70 “já não há nada a fazer”. O Keith é prova viva de que nunca é tarde para o corpo recordar a sua capacidade de equilíbrio. Observação 2: A Distância não Impede a Conexão Estamos separados por oceanos, fusos horários, continentes. Mas quando praticamos juntos, há uma presença que transcende os ecrãs. Observação 3: A Cura é um Caminho, Não um Destino O Keith não “curou” num dia. Foi mês após mês, postura após postura, respiração após respiração. A paciência que a Postura da Árvore ensina é a mesma paciência que a cura pede. E dentro dessa paciência, vive a sabedoria de escutar. Hoje são 20 minutos, amanhã podem ser 10. Ambos são perfeitos quando nascem da escuta genuína do corpo, não da imposição da mente. Observação 4: A Prática Aprofunda-se quando a Necessidade Chama Todos começamos Chi Kung por algum motivo. Às vezes é curiosidade. Às vezes é um corpo que dói. Às vezes é uma alma inquieta. O Keith aprofundou porque a vida pediu mais dele - e ele respondeu com presença. Observação 5: A Humildade é Essencial Não posso, não devo, não quero atribuir a melhoria do Keith apenas ao Chi Kung. Seria ego, não serviço. A cura é sempre multifacetada. O Chi Kung foi uma ferramenta entre várias. Mas que privilégio fazer parte dessa caixa de ferramentas. Se Esta História te TocouTalvez estejas a ler isto e a pensar:
O que te posso dizer honestamente: Não prometo curas. Não prometo milagres. O corpo de cada pessoa é único, e cada jornada é singular. O que posso oferecer é presença, é prática milenar partilhada com respeito, é um espaço onde possas explorar o que o teu corpo já sabe, mas talvez tenha esquecido. Se isto ressoa contigo, se sentes que talvez seja o momento de explorar, estou aqui. Não como guru, mas como companheiro de prática. Não com promessas exageradas, mas com dedicação genuína. Uma Nota Final ao KeithSe estiveres a ler isto, meu amigo: Obrigado por confiares em mim para caminhar ao teu lado nesta jornada. Obrigado por me lembrares que a prática importa, que a paciência rende frutos, que 20 minutos de Postura da Árvore são 20 minutos de conversa profunda com a vida. E obrigado por me permitires partilhar a tua história. Pode ser a centelha de esperança que outra pessoa precisava de ouvir hoje. Continuamos. Mais fundo, mais presente, mais enraizado. Como a árvore que não luta com o vento, mas dança com ele. Partilhado com gratidão e respeito pela jornada do Keith, e com a intenção de que esta história possa servir outros que procuram caminhos gentis de cura. Nota Importante: Esta história é um testemunho pessoal e não constitui aconselhamento médico. Qualquer preocupação de saúde deve ser sempre acompanhada por profissionais de saúde qualificados. O Chi Kung é uma prática complementar, não substituta de tratamento médico. Com serenidade, 📬 Gostaste desta newsletter?🔁 Partilha com alguém que também se possa inspirar. ✉️ Se recebeste este email através de outra pessoa, podes inscrever-te aqui para receberes directamente na tua caixa de entrada. ✨ Onde me podes encontrar ✨ Estás a receber esta newsletter porque te inscreveste voluntariamente. Podes cancelar a subscrição quando quiseres, sem ressentimentos, embora eu espere que continues comigo no caminho do bem-estar. 🔻 Cancelar subscrição |
Facilito práticas de Qigong, massagens e sessões de Reiki e ajudo quem se sente stressado, cansado ou desconectado a reencontrar equilíbrio, energia e serenidade. Utilizo a respiração, o movimento e a energia vital da natureza como guia.
Olá Reader Há dias, ao rever alguns textos antigos, encontrei algo que escrevi em 2012. Li e senti que aquelas palavras continuam vivas, talvez ainda mais necessárias hoje do que naquela altura. Dizia assim: "A responsabilidade cabe a cada um de nós para mudarmos o que quer que seja nas nossas vidas. Há que assumi-la e aceitar a vida como ela é e deixar que a vida siga o seu rumo. O rumo para o qual aceitamos viver e que por algum motivo nos desviamos dele! Sejam felizes assumindo a...
Olá, Reader, Se chegaste até aqui, talvez estejas a sentir aquele peso no peito, aquela inquietação que parece não ter fim. Observo que muitas pessoas com quem trabalho partilham esta experiência, a ansiedade tornou-se uma companheira indesejada no dia a dia. Gostaria de partilhar contigo algo que tem tocado profundamente a minha prática e a de muitas pessoas: o Qigong. Esta arte milenar não é uma solução mágica, e seria desonesto da minha parte apresentá-la assim. É antes um caminho gentil...
Olá, Reader No dia 23 de novembro, algo extraordinário aconteceu na Etiópia: o vulcão Hayli Gubbi, adormecido há 12.000 anos, voltou a despertar. Sem aviso. Sem movimento aparente durante milénios. E de repente, a terra abriu-se. Aquilo que parecia silencioso para sempre revelou que ainda estava vivo. Quando li esta notícia, pensei imediatamente no Qigong. E em ti. Porque tal como um vulcão adormecido, o nosso corpo guarda movimentos, memórias e energia que permanecem em silêncio durante...